quinta-feira, 8 de Maio de 2008
quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Migrações
As mutações civilizacionais, tem imposto alterações dos comportamentos humanos e uma das mais importantes tem sido as migrações. O ser humano tem sem procurado melhorar a sua condição económica principalmente e cultural. Paradinha não destoa dos factores que tem pontuado as áreas rurais do interior do país, a desertificação e o envelhecimento das populações. Tendo por base dados estatísticos, podemos dividir o período temporal em dois:
De 1527 ate 1953 a população aumentou.
De 1527 ate 1953 a população aumentou.
De 1953 ate ao nosso dias, a população tem diminuído.
O factor que tem marcado mais esta evolução, é sem dúvida alguma a emigração. Os Paradinhenses, procuram o que a terra infelizmente não lhes consegue dar. Um das primeiras formas de emigração, embora temporária, era a ida para as vindimas no Douro. Os principais centros de acolho dos Paradinhenses são França e Lisboa, encontrando-se ainda espalhados por países como o Brasil, Bélgica, Suíça, Alemanha, etc.
O factor que tem marcado mais esta evolução, é sem dúvida alguma a emigração. Os Paradinhenses, procuram o que a terra infelizmente não lhes consegue dar. Um das primeiras formas de emigração, embora temporária, era a ida para as vindimas no Douro. Os principais centros de acolho dos Paradinhenses são França e Lisboa, encontrando-se ainda espalhados por países como o Brasil, Bélgica, Suíça, Alemanha, etc.
Sagrado e Profano
A paróquia de Paradinha tem com pároco José Salvador Sequeira Saraiva, pertence ao arcipestrado de Moimenta da Beira e à diocese de Lamego e tem como orago Nossa Senhora da assunção.
Tem como principais manifestações de índole religioso as festas da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, no dia 15 de Agosto e de S. Miguel no dia 29 de Setembro. De referir que no dia de Pascoa, tem-se ainda por tradição, a visita por parte do pároco da aldeia as casas da freguesia com a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Tem como principais manifestações de índole religioso as festas da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, no dia 15 de Agosto e de S. Miguel no dia 29 de Setembro. De referir que no dia de Pascoa, tem-se ainda por tradição, a visita por parte do pároco da aldeia as casas da freguesia com a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Usos e Costumes
CARNAVAL
No dia de Carnaval, mulheres e homens travavam uma luta. Tudo se focava em dois pequenos bonecos de palha revestidos com fatos de papel. A parte feminina da aldeia criava o compadre, o sexo oposto a comadre . Ambas as partes beligerantes tentavam esconder o melhor que podiam o seu troféu, tendo a parte oposta de descobrir onde a outra facção tinha escondido o seu boneco, para lho tentar roubar. Para defenderem o boneco possuíam armas de defesa, como formigas, agua, cinza, etc. Se conseguissem roubar o troféu à outra parte tentariam o esconder para que no final do dia o pudessem queimar, tentando a outra parte a todo custo o recuperar antes da queima. A queima normalmente era feita ao por do sol sendo se possível no largo da igreja ou noutro local previamente assinalado. Ambos os bonecos podiam ser queimados.
SÃO MARTINHO
No dia de São Martinho era realizado na aldeia um magusto comunitário, cada pessoa contribuía com a quantidade que lhe fosse possível, juntavam-se à volta do local do magusto comendo as castanhas assadas no final.
No dia de Carnaval, mulheres e homens travavam uma luta. Tudo se focava em dois pequenos bonecos de palha revestidos com fatos de papel. A parte feminina da aldeia criava o compadre, o sexo oposto a comadre . Ambas as partes beligerantes tentavam esconder o melhor que podiam o seu troféu, tendo a parte oposta de descobrir onde a outra facção tinha escondido o seu boneco, para lho tentar roubar. Para defenderem o boneco possuíam armas de defesa, como formigas, agua, cinza, etc. Se conseguissem roubar o troféu à outra parte tentariam o esconder para que no final do dia o pudessem queimar, tentando a outra parte a todo custo o recuperar antes da queima. A queima normalmente era feita ao por do sol sendo se possível no largo da igreja ou noutro local previamente assinalado. Ambos os bonecos podiam ser queimados.
SÃO MARTINHO
No dia de São Martinho era realizado na aldeia um magusto comunitário, cada pessoa contribuía com a quantidade que lhe fosse possível, juntavam-se à volta do local do magusto comendo as castanhas assadas no final.
Património
Paradinha tem a sua Igreja Matriz, que data de 1630, mas apenas concluída em 1733, primitivamente era a capela de Nossa da Guia, como reza uma lápide do presbítero Cardoso e a qual passou a ficar sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção. Igreja de planta longitudinal, com portal de meio arco de volta perfeita, com torre sineira adoçada do lado esquerdo, rematada por pináculos e cruz ao centro. O altar-mor é de talha Joanina, sendo os laterais de fábrica posterior. O conjunto de elementos religiosos complementa-se com quatro capelas, a de São Miguel, Santa Barbara, Mártir São Sebastião e especialmente a da Senhora da Boa Morte toda em granito. Paradinha possui também um cruzeiro que reflecte a piedade religiosa e a devoção da população.
Da antiga fortificação do Monte de São Miguel, donde virá o nome de Paradinha e da primitiva povoação de Moreirô, invadida por formigas, da qual os habitantes fugiram trazendo as pedras das casas para reconstruírem Paradinha, pouco resta e o que ainda existe é de difícil visibilidade pelo avanço do mato invasor.
Da antiga fortificação do Monte de São Miguel, donde virá o nome de Paradinha e da primitiva povoação de Moreirô, invadida por formigas, da qual os habitantes fugiram trazendo as pedras das casas para reconstruírem Paradinha, pouco resta e o que ainda existe é de difícil visibilidade pelo avanço do mato invasor.
Gastronomia
Como todos os locais a populações são influenciadas por o meio que as rodeia. A nível gastronómico não é diferente.
Gastronomicamente falando, Paradinha é marcada por vários produtos principalmente a carne de porco, milho e castanha. Em seguida enumeraremos alguns dos pratos mais tradicionais:
Milho : moído para fazer farinha.
- Milhos com moira : Papas de milho feitas à base de farinha de milho, cozidas em água com sal
- Milhos com leite e açúcar : Papas de milho preparadas como com leite ou água e açúcar.
- Broa de milho
- Milhos com leite e açúcar : Papas de milho preparadas como com leite ou água e açúcar.
- Broa de milho
Castanha : seca para ser moída para o fabrico de farinha de castanha.
- Falachas : Farinha de castanha, amassada como o pão podendo ser cozidas em fornos de lenha ou fritas.
- Banacau : Farinha de castanha dissolvida em água ou leite.
- Castanhas cozidas
- Castanhas assadas
- Sopa de castanha : feita com castanhas secas
Carne de porco : Enchidos como o moiro de sangue, moira, salpicão, chouriça ou presunto; cozido à portuguesa, carne frita ou assada, bola de carne.
Cevada : Farinha para fazer pão e fritas com mel.
Pão de centeio
O folar da Pascoa
Cabrito assado
Queijo de cabra
Diversos pratos com cogumelos silvestres e carne de borrego.
Actividades Económicas
As populações, ao longo dos dos diversos períodos, históricos, dos quais existem dados, praticaram e continuam a praticar actividades de subsistência. Uma zona marcadamente rural sofrendo os efeitos da interiorização, que todo o Portugal profundo sofre. A actividade económica agregadora da maior parte da população é a agricultura. Paradinha passou por várias etapas do processo produtivo. A passagem do tempo marcou o desaparecimento de determinadas produções em detrimento de outras.
Paradinha foi em tempos o principal fornecedor de lenha de Moimenta da Beira, principalmente para as padarias, advindo dai a razão pela qual foram apelidados de lenhadores. Foi um dos principais meios de subsistência de muitas famílias pobres. Outra actividade ligada à floresta era a extracção de resina do pinheiro. Actualmente continua-se a fazer a extracção de cortiça assim como o abate de árvores para madeira.
Em contraponto, com a maioria da população, a qual se dedicava as actividades agrícolas, existia uma elite que tinha o privilégio de exercer actividades mais nobres, que em muitos casos deram a origem às alcunhas das famílias, como mineiros, pedreiros, etc. Principais profissões existentes: Mineiro, soqueiro, cesteiro, pastor, pedreiro e carpinteiro.
Paradinha teve o privilégio de ter tido dois lagares de azeite.
A pastorícia foi também uma das actividades marcantes, sendo a cabra o elemento principal dos rebanhos de paradinha.
Paradinha foi abundante em amoreiras, para alimentar o bicho-da-seda, então a manter uma fiação na freguesia da Vila da Rua. Ainda resiste um exemplar de amoreira no largo da igreja. As populações também se dedicavam ao cultivo do linho, centeio, milho, cevada e a criação de pastos de forragem para os animais.
A agricultura actualmente baseia-se no cultivo da batata, na produção de maça, castanha, azeite e vinho. Paradinha pertence à antiga região Terras do Demo, actual região demarcada dos vinhos Tavora-Varosa, vinhos de qualidade superior principalmente os brancos, já galardoados com medalhas de ouro e o seu tão famoso espumante das caves da Murganheira. Outros produtos agrícolas são de salientar, embora de menor importância como feijão, grão-de-bico, feijocas, pêra, avelãs e nozes.
Paradinha foi em tempos o principal fornecedor de lenha de Moimenta da Beira, principalmente para as padarias, advindo dai a razão pela qual foram apelidados de lenhadores. Foi um dos principais meios de subsistência de muitas famílias pobres. Outra actividade ligada à floresta era a extracção de resina do pinheiro. Actualmente continua-se a fazer a extracção de cortiça assim como o abate de árvores para madeira.
Em contraponto, com a maioria da população, a qual se dedicava as actividades agrícolas, existia uma elite que tinha o privilégio de exercer actividades mais nobres, que em muitos casos deram a origem às alcunhas das famílias, como mineiros, pedreiros, etc. Principais profissões existentes: Mineiro, soqueiro, cesteiro, pastor, pedreiro e carpinteiro.
Paradinha teve o privilégio de ter tido dois lagares de azeite.
A pastorícia foi também uma das actividades marcantes, sendo a cabra o elemento principal dos rebanhos de paradinha.
Paradinha foi abundante em amoreiras, para alimentar o bicho-da-seda, então a manter uma fiação na freguesia da Vila da Rua. Ainda resiste um exemplar de amoreira no largo da igreja. As populações também se dedicavam ao cultivo do linho, centeio, milho, cevada e a criação de pastos de forragem para os animais.
A agricultura actualmente baseia-se no cultivo da batata, na produção de maça, castanha, azeite e vinho. Paradinha pertence à antiga região Terras do Demo, actual região demarcada dos vinhos Tavora-Varosa, vinhos de qualidade superior principalmente os brancos, já galardoados com medalhas de ouro e o seu tão famoso espumante das caves da Murganheira. Outros produtos agrícolas são de salientar, embora de menor importância como feijão, grão-de-bico, feijocas, pêra, avelãs e nozes.
Características Naturais
A freguesia de Paradinha localiza-se na região da Beira, mais precisamente, situada numa zona denominada de Planaltos Centrais por Brum Ferreira.
Tipo de solo
Em relação aos grandes grupos de solos pode-se referir muito genericamente que é dominado por Cambissolos húmicos associados a Cambissolos dístricos (nomenclatura FAO/UNESCO), sendo estes últimos muito menos representativos. Os solos mencionados equivalem genericamente, aos solos Litólicos Húmicos (classificação CNROA) derivados dos granitos/sienitos, extremamente pobres em nutrientes, com diminuta espessura efectiva, mas que no entanto, apresentam considerável teor de matéria orgânica nos horizontes superficiais, embora pouco definidos. Os solos Litólicos Húmicos dos Climas Montanos são solos cujo processo de pedogenese, embora fraco, se efectua com elevado índice de exposição aos agentes climatéricos mais agrestes, o que origina, nomeadamente, fenómenos de erosão que não permitem o desenvolvimento normal do processo. No entanto, o grupo dos solos Litólicos Húmicos, devido às suas boas propriedades físicas são capazes de se tornarem bons solos agrícolas desde que melhorados com adequadas práticas culturais.
Tipo de exploração da terra e área da produtividade
A área em que a freguesia se insere apresenta uma maior aptidão florestal, pelo tipo de solos existentes os quais são, ocupados de forma não adequada às suas características. Dentro das classes florestais os povoamentos de pinheiro são os mais significativos, sendo complementado com carvalho, sobreiro, castanheiro e eucalipto. A área florestal tem decrescido em virtude de actividades de desflorestação por acção humana, sendo esses espaços livres ocupados por mato.
Recursos Hídricos
Paradinha tem como principal recurso hídrico a ribeira do Tedinho, afluente do rio Tedo, sendo a sua envolvente a zona mais fértil da freguesia.
Caracterização climática
O clima é temperado e seco, com Invernos rigorosos, sendo Julho, Agosto e Setembro os meses mais quentes, Dezembro, Janeiro e Fevereiro mais frios. As geadas são frequentes.
Tipo de solo
Em relação aos grandes grupos de solos pode-se referir muito genericamente que é dominado por Cambissolos húmicos associados a Cambissolos dístricos (nomenclatura FAO/UNESCO), sendo estes últimos muito menos representativos. Os solos mencionados equivalem genericamente, aos solos Litólicos Húmicos (classificação CNROA) derivados dos granitos/sienitos, extremamente pobres em nutrientes, com diminuta espessura efectiva, mas que no entanto, apresentam considerável teor de matéria orgânica nos horizontes superficiais, embora pouco definidos. Os solos Litólicos Húmicos dos Climas Montanos são solos cujo processo de pedogenese, embora fraco, se efectua com elevado índice de exposição aos agentes climatéricos mais agrestes, o que origina, nomeadamente, fenómenos de erosão que não permitem o desenvolvimento normal do processo. No entanto, o grupo dos solos Litólicos Húmicos, devido às suas boas propriedades físicas são capazes de se tornarem bons solos agrícolas desde que melhorados com adequadas práticas culturais.
Tipo de exploração da terra e área da produtividade
A área em que a freguesia se insere apresenta uma maior aptidão florestal, pelo tipo de solos existentes os quais são, ocupados de forma não adequada às suas características. Dentro das classes florestais os povoamentos de pinheiro são os mais significativos, sendo complementado com carvalho, sobreiro, castanheiro e eucalipto. A área florestal tem decrescido em virtude de actividades de desflorestação por acção humana, sendo esses espaços livres ocupados por mato.
Recursos Hídricos
Paradinha tem como principal recurso hídrico a ribeira do Tedinho, afluente do rio Tedo, sendo a sua envolvente a zona mais fértil da freguesia.
Caracterização climática
O clima é temperado e seco, com Invernos rigorosos, sendo Julho, Agosto e Setembro os meses mais quentes, Dezembro, Janeiro e Fevereiro mais frios. As geadas são frequentes.
Localização
Paradinha esta localizada a 4 quilómetros da sede do concelho, Moimenta da Beira, pertence ao distrito de Viseu, ao Episcopado de Lamego e à província da Beira Alta, faz parte das terras do Demo ou terras de Santa Maria. A povoação fica situada no meio de uma encosta que se eleva desde a ribeira do Tedinho até ao Monte de S. Miguel. Goza pois, o abrigo do monte de S. Miguel e do monte de Cabaços, como o povo está disposto a Nascente, é banhado pelo sol da manhã.
Paradinha, tem uma área de 6,29 Km²
Código Postal: 3620 – 410
Paradinha, tem uma área de 6,29 Km²
Código Postal: 3620 – 410
Artistas de Paradinha
JOÃO TORQUATO
Iluminador, de Paradinha, iluminou as festas de Nossa Senhora da Lapa diversos anos, até 1923, ano que pela primeira vez o santuário adoptou candeeiros fixos, a petróleo feitos por um serralheiro de Moimenta da Beira.
Personalidades
JOSÉ ANTóNIO SARMENTO DE VASCONCELLOS E CASTRO
Nasceu em Paradinha e ali viveu na sua casa brasonada, cabeça do vinculo de Paradinha, tendo, como filho primogénito, sucedido a seu pais na casa e morgados de Trevões, Paradinha, Pinhel e Alverca. Foi por alvará de 18 de Agosto de 1738 fidalgo-cavaleiro da Casa Real em sucessão a seus maiores e cavaleiro-professo na Ordem de Cristo por diploma de 20 de Fevereiro de 1752 e casou com D. Antónia Josefa de Azevedo Castello-Branco Sá Menezes
JOSÉ SARMENTO DE VASCONCELLOS E CASTRO
Nasceu e viveu em Paradinha onde faleceu em 1843, sucessor dos vínculos da casa, foi fidalgo-cavaleiro da Casa-Real por alvará de 12 de Junho de 1779, e casou com sua prima D. Antónia Ludovina Amália Carneiro Sarmento Botelho de Vasconcellos.
JÁCOME LUIS SARMENTO DE VASCONCELOS E CASTRO
Nasceu em Paradinha a 23 de Março de 1814 e faleceu a 26 de Abril de 1874, filho de José Sarmento de Vasconcelos e Castro e de D. Antónia Ludovina Amélia Carneiro Sarmento Botelho Vasconcelos. Doutorou-se em 24 de Outubro de 1841, após curso brilhante, na faculdade de matemática da Universidade de Coimbra, ocupou o lugar de primeiro astrónomo do Observatório Metereológico desta cidade e a cadeira de mecânica celeste até que dolorosa e prolongada doença o forçou abandonar. Era fidalgo-cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da Ordem de S. João de Jerusalém, foi vogal extraordinário do concelho superior de Instrução Publica. Foi grande benemérito do Asilo da Infância Desvalida de Coimbra, instituição de que foi secretário em 1850. Escreveu várias obras da sua especialidade como Tábuas Auxiliares para o Cálculo das Efemérides Astronómicas, Abreviações dos Cálculos das Ascensões Rectas, etc. Casou a 13 de Julho de 1846 com D. Guilhermina da Fonseca Mangas Barradas, filha do Morgado de Santo António de Leomil, irmã da 1.ª Viscondessa de Moimenta da Beira. Faleceu em Coimbra, em 26 de Abril de 1874, vítima de doença prolongada.
JULIÃO SARMENTO DE VASCONCELLOS E CASTRO
Nasceu em Paradinha a 9 de Outubro de 1802 e viveu em Leomil e Moimenta da Beira onde faleceu em 1888, filho de José Sarmento de Vasconcellos e D. Antónia Ludovina Amália Carneiro Sarmento Botelho de Vasconcellos. Foi Presidente da Câmara de Moimenta da Beira. Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, primeiro barão e primeiro visconde de Moimenta da Beira por decretos de 24 de Fevereiro de 1866 e de 17 Junho de 1875 respectivamente, sucedeu aos seus pais, como filho primogénito que era, nos vínculos da casa, e casou com D. Maria Augusta da Fonseca Barradas de Araújo, natural de Leomil. Faleceu em 21 de Outubro de 1889.
RODRIGO SARMENTO
Rodrigo Sarmento, desembargador, assassinado em Paradinha em 23 de Março de 1837, sepultado no largo da igreja. O seu nome aparece gravado numa das escadas de acesso ao lado da portaria do convento “Rodrigo Sarmento reedificou em 1825” o que nos leva a pensar que foi ele quem comprou o convento e a cerca às Freiras das Chagas, de Lamego. Morreu sem descendência.
DR. JOÃO DE JESUS MERGULHÃO
Nasceu em Paradinha, filho de Manuel Pereira de Macedo e de D. Ângela Joana Mergulhão. Foi cónego regrante de St.° Agostinho, no Convento de Santa Cruz, de Coimbra, ficando na memória do povo e da ordem, como exemplo de caridade evangélica.
MANUEL AUGUSTO RAFAEL
Natural de Paradinha, foi muito jovem para o Brasil, onde exerceu a profissão de ourives, na Cidade de Manaus. Regressado a Portugal, fixou residência em Moimenta da Beira, onde foi um dos fundadores da conferência de S. Vicente de Paulo e seu secretário durante toda a vida. Foi também o primeiro representante da Confraria do SS. Sacramento na Mesa da Santa Casa da Misericórdia desta vila. Promoveu com outras pessoas e em colaboração com o pároco do tempo, Pe. António Cardoso Cunha, ex-bispo de Vila Real, a compra da Casa da Residência, na Rua do Correio. O seu nome aparece ainda entre os corpos sociais do Grémio da Lavoura e da Adega Cooperativa de que foi um dos seus fundadores. Foi vice-presidente da Câmara Municipal quando era seu presidente, o Dr. Alberto da Costa Pinto. Faleceu com 79 anos de idade, em 15 de Julho de 1969, sendo sepultado em Moimenta da Beira.
RAFAEL, ANTONIO JOSÉ
Nasceu em Paradinha, em 11 de Novembro 1925, filho de José Maria Rafael e Lucília Mergulhão Rafael. Frequentou a escola primária de Paradinha e fez o exame de 2.° grau (ou da 4.ª classe na Escola de Moimenta da Beira, em 1936. Deu depois entrada no Seminário Diocesano de Lamego, em 1937. De 1937 a 1940, frequentou o Seminário Menor de Nossa Senhora de Lurdes, em Resende, e de 1940 a 1948 frequentou o Seminário Maior de Lamego, concluindo os seus estudos teológicos. Foi ordenado Presbítero, em 22 de Agosto de 1948, na Sé Catedral de Lamego. Nos anos de 1949 e 1950, foi pároco de Fontelo e Aldeias, duas freguesias do concelho de Armamar. Durante os anos de 1951 e 1952, foi Prefeito de Disciplina, no Seminário de Lamego, e Professor de Latinidade e de Liturgia; e Administrador da “Voz de Lamego”. De 1952 a 1954, frequentou a Universidade de Salamanca, para cursar Filosofia. De Salamanca transitou para o Seminário Menor de Resende, que ajudou a dirigir como Vice-Reitor, de 1954 a 1965. Em Julho de 1965 deixava a Direcção do Seminário de Resende para se ocupar da Pastoral Diocesana e Apostolado dos Leigos, em Lamego, onde restou até 1976. Foi Director Espiritual do Movimento dos Cursos de Cristandade que lançou na Diocese. Foi também Assistente Diocesano da LJC e Capelão do Colégio da Imaculada Conceição e da Casa de Saúde de Lamego. Na qualidade de Vigário Episcopal, integrou a Comissão Organizadora do Concelho Presbiterial e do Concelho Pastoral Diocesanos. Ocupou ainda ao cargo de Presidente da Comissão dos Centenários da Diocese. Foi professor de Psicopedagogia na Escola Social-Rural de Lamego, e professor de Teologia Pastoral e de Pastoral da Comunicação Social no Seminário Maior de Lamego. Assumiu as funções de Adjunto do Director da “Voz de Lamego”.
Em 7 de 1976 foi nomeado pelo Papa Paulo VI, bispo auxiliar de Bragança e Bispo Titular de Budua. Recebeu a Ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, no dia 13 de Fevereiro de 1977, sendo Bispo Sagrante o Núncio Apostólico Cardeal Felici, e consagrantes, D. António Xavier Monteiro Arcebispo-Bispo de Lamego e D. Manuel de Jesus Pereira Bispo de Bragança. Entrou na Diocese no dia 19 de Março de 1977, na Igreja de S. José do Seminário. Sucedeu a D.Manuel de Jesus Pereira e tomou posse da Diocese como seu 42.° Bispo, no dia 24 de Março de 1979, na Sé e na Igreja de S. Francisco. Em 11 de Novembro de 2000, aos atingir os 75 anos, pediu a resignação ao Episcopado sendo substituído no dia 14 de Outubro 2001. Ao longo dos 22 anos de governo da Diocese fez uma obra importante, quer espiritual, quer material. A mais significativa relaciona se com a construção da nova Sé Catedral que abriu ao culto em 7 de Outubro de 2001. Para obviar essa construção empreendeu, D. António Rafael, várias visitas aos estrangeiro, com o intuito de recolher fundos. Também conseguiu, conforme se lê no Mensageiro de Bragança, n.° 2.622, de 28 de Março de 1997, obter da Santa Sé, o título de Concatedral para a antiga Sé de Miranda do Douro, a qual se encontrava reduzida a mera Igreja Paroquial. Actualmente reside na sua aldeia natal, na casa legada pelos seus familiares, no largo da Igreja n.° 3.
NOMES QUE HONRAM PARADINHA
Pe. António Augusto Sobral, pároco de muito prestígio na Diocese de Lisboa; e Eurico Pedro Andrade Alves, Gerente da Caixa Geral de Depósitos de S. João da Madeira e Presidente da associação luso brasileira “Amigos de Ferreira de Castro.
Assassinato do Desembargador
As Invasões Francesas e as lutas liberais criaram um clima de instabilidade política e de insegurança social tendo como um dos expoentes máximos o assassinato de Rodrigo Sarmento. José Teixeira, aparece no concelho de Moimenta da Beira, vindo de Trás-os-Montes, fugindo talvez à Justiça; fixou-se em Santo Adrião e é responsável por crimes e assaltos praticados mesmo em Moimenta da Beira. Era conhecido por O Cavalaria por ter estado como soldado de Cavalaria no Cerco do Porto, em 1822/23. Foi ele que, em 23 de Março de 1837, assassinou em Paradinha, o Desembargador Rodrigo Sarmento; este estava na cama, doente segundo se diz, e foi contacto por um companheiro da Cavalaria, um tal António Vasquez, da Régua, a quem entregou um cartucho com peças de ouro, pedindo que o não matassem. O Vasquez passou ordens aos “salteadores que entulhavam a casa” que levassem roupas e o que encontrassem, pois que dinheiro não havia e procurou guardar para si as peças de ouro; o Cavalaria, atento, apercebendo-se de tudo isso exigiu ao Vasquez metade das peças sob a ameaça de matar o Desembargador, o que logo fez com um machado na cabeça de Rodrigo Sarmento. Era uma Sexta-Feira Santa. Ficou sepultado no largo da igreja de Paradinha, sob uma pedra em que se lê:
Aqui jaz
O Dez. Rodrigo
Sarmento de Vas.-los e Castro
Falecido
No dia 23 de Março
De 1837
Aqui jaz
O Dez. Rodrigo
Sarmento de Vas.-los e Castro
Falecido
No dia 23 de Março
De 1837
Estrada de Paradinha
Nos fins do séc. XIX, vive em Moimenta da Beira, Joaquim Augusto Pinto de Azevedo. Em 3 de Outubro de 1889, ganhou um concurso da construção da estrada de Paradinha, por 7.630.00 Rs, comprometendo-se a cumprir todas “as condições estipuladas na memória descritiva” da autoria do Eng. José Joaquim Dias, Chefe da 3.ª Secção das Obras Publicas, com sede no Freixinho. O Sr. Engenheiro recebeu pelo seu trabalho 164.355 Rs.
Joaquim de Azevedo começou imediatamente o seu trabalho: em Fevereiro de 1890 requereu à Câmara que vendesse em hasta pública “os caminhos inutilizados pela estrada de Paradinha” e prometeu resolver ele mesmo todas as dificuldades de aquisição de terrenos ocupados pela estrada nova; a Câmara mandou por arrematação os caminhos que ele, Joaquim Augusto Pinto de Azevedo, comprou por 10.000 Rs, em 20 de Março do mesmo ano. Jogando com estes caminhos, resolveu amigavelmente todos os problemas de expropriações necessárias; uma eficiência total e em Abril de 1892, já as possantes juntas de bois dos briosos lavradores de Moimenta faziam rolar os pesados cilindros de granito sobre o macadame da estrada de Paradinha. Os trabalhos eram fiscalizados por António Batista Pedreiro (ou Pedroso, para evitar confusões profissionais...) que recebia um ordenado estipulado no orçamento da estrada; morreu neste ano de 1892 e a fiscalização passou a ser feita por Clodimir Ferreira Portugal.
Em Maio, Joaquim de Azevedo dava a estrada por concluída e requereu a respectiva vistoria. Mas só em 10 de Setembro de 1892, é que o “Condutor de Obras Públicas” José Martins dos Santos apareceu para essa vistoria que fez com o Sr. José Coutinho de Lucena Matos; e ambos, depois de proceder ao “exame de verificação” deram como veredicto de que “as obras foram feitas com solidez e perfeição e que a Câmara podia receber a obra”. Podia e recebeu. Logo no dia, 10 de Setembro de 1892, mediante proposta do vereador José Maria dos Santos, a Câmara nomeava para cantoneiro da estrada de Paradinha, José Salgueiro, casado, proprietário, residente nesta vila; como era cunhado do Presidente da Câmara. Januário Batista Pedroso, a nomeação foi feita sob a presidência “pontual” como hoje se diz, do vereador mais velho que era o “Bacharel Seves”. José Salgueiro foi assim o primeiro cantoneiro municipal de Moimenta da Beira.
Esta estrada de paradinha terminava junto à Poça das Presas; só em 23 de Outubro de 1903, bastante mais tarde por isso, é que foi autorizado o Visconde de Moimenta da Beira a mandar fazer o estudo do seu prolongamento até à fonte da Pipa, atravessando os quintais do Dr. António Teixeira Pinto Gomes, de Maria Veiga e de D. Maria do Carmo.
Em 1904, o empreiteiro da Vila da Ponte, Júlio Carneiro fez a ligação, recebendo por isso 45.000 Rs. Só nesta ficou a estrada de Paradinha tal e qual como a temos hoje.
Joaquim de Azevedo começou imediatamente o seu trabalho: em Fevereiro de 1890 requereu à Câmara que vendesse em hasta pública “os caminhos inutilizados pela estrada de Paradinha” e prometeu resolver ele mesmo todas as dificuldades de aquisição de terrenos ocupados pela estrada nova; a Câmara mandou por arrematação os caminhos que ele, Joaquim Augusto Pinto de Azevedo, comprou por 10.000 Rs, em 20 de Março do mesmo ano. Jogando com estes caminhos, resolveu amigavelmente todos os problemas de expropriações necessárias; uma eficiência total e em Abril de 1892, já as possantes juntas de bois dos briosos lavradores de Moimenta faziam rolar os pesados cilindros de granito sobre o macadame da estrada de Paradinha. Os trabalhos eram fiscalizados por António Batista Pedreiro (ou Pedroso, para evitar confusões profissionais...) que recebia um ordenado estipulado no orçamento da estrada; morreu neste ano de 1892 e a fiscalização passou a ser feita por Clodimir Ferreira Portugal.
Em Maio, Joaquim de Azevedo dava a estrada por concluída e requereu a respectiva vistoria. Mas só em 10 de Setembro de 1892, é que o “Condutor de Obras Públicas” José Martins dos Santos apareceu para essa vistoria que fez com o Sr. José Coutinho de Lucena Matos; e ambos, depois de proceder ao “exame de verificação” deram como veredicto de que “as obras foram feitas com solidez e perfeição e que a Câmara podia receber a obra”. Podia e recebeu. Logo no dia, 10 de Setembro de 1892, mediante proposta do vereador José Maria dos Santos, a Câmara nomeava para cantoneiro da estrada de Paradinha, José Salgueiro, casado, proprietário, residente nesta vila; como era cunhado do Presidente da Câmara. Januário Batista Pedroso, a nomeação foi feita sob a presidência “pontual” como hoje se diz, do vereador mais velho que era o “Bacharel Seves”. José Salgueiro foi assim o primeiro cantoneiro municipal de Moimenta da Beira.
Esta estrada de paradinha terminava junto à Poça das Presas; só em 23 de Outubro de 1903, bastante mais tarde por isso, é que foi autorizado o Visconde de Moimenta da Beira a mandar fazer o estudo do seu prolongamento até à fonte da Pipa, atravessando os quintais do Dr. António Teixeira Pinto Gomes, de Maria Veiga e de D. Maria do Carmo.
Em 1904, o empreiteiro da Vila da Ponte, Júlio Carneiro fez a ligação, recebendo por isso 45.000 Rs. Só nesta ficou a estrada de Paradinha tal e qual como a temos hoje.
Nobre Paradinha
Paradinha pode envaidecer-se de ser uma terra das mais nobres e a mais rica casa fidalga do conselho, a da Morais Sarmento, cujo solar ainda hoje se conserva; certamente por isso, foi a primeira povoação a ter estrada, inaugurada em 1892. E, quando em 1859 se pensou remodelar a área das freguesias deste conselho para que “o serviço religioso que compete aos párocos fosse cumprido o melhor possível” foi decidido pelo Governo Central extinguir a freguesia de Paradinha que voltaria a ser incorporado na de Moimenta da Beira. Os Morais Sarmento intervieram e a Câmara de Moimenta da Beira, em sessão de 13 de Julho de 1859, estudou este “negócio de suma gravidade” e concordou com todo o projecto que lhe fora apresentado pelo Governo Central, exigindo apenas duas alterações: que a Semitela não deixasse de pertencer a Leomil, como se previa, e que Fornos fosse anexado a Paradinha para evitar que esta freguesia desaparecesse.
Foi de facto enorme a projecção da Casa de Paradinha na vida deste concelho.
A CASA DE PARADINHA
José Sarmento de Vasconcelos, Capitão-Mor de Moimenta da Beira, se tornou um homem rico, talvez o homem mais rico destas paragens, ao casar-se com D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador, da Casa de Paradinha. Vejamos como se formou esta Casa.
Tudo começou no século XVI, quando um tal Mateus Antunes casou com D. Catarina Andrade de Carvalho, filha de Henrique Andrade de Carvalho, fidalgo de Figueira, concelho de Lamego; um filho destes, João Andrade de Carvalho, foi sargento-mor de Moimenta da Beira e casou com D. Domingas André. Tiveram um filho que subiu na vida, o Dr. João de Andrade Carvalho; nasceu em Paradinha e foi cavaleiro da Ordem de Cristo por alvará de 5 de Dezembro de 1690; foi ouvidor de Sande pela provisão que o Conde da Ponte assinou em 6 de Abril de 1683. O Dr. João Andrade casou com D. Maria Luísa da Silva e Castro, de Pinhel, descendente em 6.° grau (quinta neta) do famoso conde palatino Pedro Rodrigues do Amaral, de quem falamos noutro lugar. Estes foram os pais de D. Maria Josefa e Carvalho Salvador, senhora dos vínculos de Paradinha, Pinhel e Alverca, como vamos ver.
O VÍNCULO DE PARADINHA
Este foi instituído pelo Dr. João Andrade de Carvalho e uma sua irmã, D. Petronila, por escritura que ambos assinaram e foi feita em Paradinha, em 17-12-1717. Naturalmente que o vínculo passou directamente para a filha e sobrinha dos fundadores, D. Maria Josefa de C. Castro Salvador.
O VÍNCULO DE PINHEL
Na linhagem de Pedro Rodrigues do Amaral (ver) encontramos um Jerónimo Coelho do Amaral, casado com D. Maria da Silva Castro, e avô da mesma D. Josefa Castro Salvador, por ser o pai de D. Maria Luísa da Silva e Castro; uma irmã desta, de nome D. Anna Pereira de Sam Paio e Castro; foi casado com Jacinto Lopes. Como não tiveram filhos, fizeram em Pinhel, em 27 de Abril de 1731, a escritura de um vínculo com indicação dos seus administradores: primeiro, os próprios criadores do vínculo; por morte de ambos, uma outra filha de Jerónimo de Coelho, D. Isabel Pereira de Sam Paio; falecida esta, a mesma escritura determinava que o vínculo passasse para a sua sobrinha, D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador.
O VÍNCULO DE ALVERCA
Foi instituído por António de Araújo e Sousa, abade de Santa Maria de Alverca, por escritura feita em Freixedas, em 29 de Junho de 1650. Indicava como primeiro administrador, António de Gouvea Coutinho, mas com a obrigação de se casar com uma afilhada do instituidor, D. Seraphina de Sam Paio, filha de Cristóvão Pereira de Sam Paio e por isso, irmã de D. Ana da Silva e Castro. A escritura declarava ainda que este administrador, se não tivesse filhos, podia “nomear por sua morte, para lhe suceder no vínculo, uma pessoa nobre que lhe parecesse apta para esse fim”.
Ora D. Anna da Silva e Castro era mãe de D. Maria da Silva e Castro, casado como já vimos, com Jerónimo Coelho do Amaral, os avós de D. Maria Josefa; estava encontrada a “pessoa apta e nobre”. António de Gouvea Coutinho fez testamento em 23 de Agosto de 1652 e deixou o vínculo a sua esposa, D. Seraphina de Sam Paio: esta, por testamento de 25 de Agosto de 1676, legou-o a sua sobrinha D. Maria da Silva e Castro, de quem o herdou a sua neta D. Maria Josefa, de Paradinha. D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador reuniu depois estes três vínculos num só, o de Paradinha, ao qual juntou ainda o “seu terço” reunião esta que foi concedida por provisão de El Rei D. José I, em 20 de Outubro de 1772 e confirmada por presença do Tribunal de Lamego datada de 15 de Janeiro de 1776.
Casando com o capitão-mor de Moimenta da Beira, José de Vasconcelos, senhor do vínculo de Trevões, D. Maria Josefa fez de Paradinha a Casa-Mãe dos Morais Sarmentos da Beira e uma das casas mais ricas da região.
Foi de facto enorme a projecção da Casa de Paradinha na vida deste concelho.
A CASA DE PARADINHA
José Sarmento de Vasconcelos, Capitão-Mor de Moimenta da Beira, se tornou um homem rico, talvez o homem mais rico destas paragens, ao casar-se com D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador, da Casa de Paradinha. Vejamos como se formou esta Casa.
Tudo começou no século XVI, quando um tal Mateus Antunes casou com D. Catarina Andrade de Carvalho, filha de Henrique Andrade de Carvalho, fidalgo de Figueira, concelho de Lamego; um filho destes, João Andrade de Carvalho, foi sargento-mor de Moimenta da Beira e casou com D. Domingas André. Tiveram um filho que subiu na vida, o Dr. João de Andrade Carvalho; nasceu em Paradinha e foi cavaleiro da Ordem de Cristo por alvará de 5 de Dezembro de 1690; foi ouvidor de Sande pela provisão que o Conde da Ponte assinou em 6 de Abril de 1683. O Dr. João Andrade casou com D. Maria Luísa da Silva e Castro, de Pinhel, descendente em 6.° grau (quinta neta) do famoso conde palatino Pedro Rodrigues do Amaral, de quem falamos noutro lugar. Estes foram os pais de D. Maria Josefa e Carvalho Salvador, senhora dos vínculos de Paradinha, Pinhel e Alverca, como vamos ver.
O VÍNCULO DE PARADINHA
Este foi instituído pelo Dr. João Andrade de Carvalho e uma sua irmã, D. Petronila, por escritura que ambos assinaram e foi feita em Paradinha, em 17-12-1717. Naturalmente que o vínculo passou directamente para a filha e sobrinha dos fundadores, D. Maria Josefa de C. Castro Salvador.
O VÍNCULO DE PINHEL
Na linhagem de Pedro Rodrigues do Amaral (ver) encontramos um Jerónimo Coelho do Amaral, casado com D. Maria da Silva Castro, e avô da mesma D. Josefa Castro Salvador, por ser o pai de D. Maria Luísa da Silva e Castro; uma irmã desta, de nome D. Anna Pereira de Sam Paio e Castro; foi casado com Jacinto Lopes. Como não tiveram filhos, fizeram em Pinhel, em 27 de Abril de 1731, a escritura de um vínculo com indicação dos seus administradores: primeiro, os próprios criadores do vínculo; por morte de ambos, uma outra filha de Jerónimo de Coelho, D. Isabel Pereira de Sam Paio; falecida esta, a mesma escritura determinava que o vínculo passasse para a sua sobrinha, D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador.
O VÍNCULO DE ALVERCA
Foi instituído por António de Araújo e Sousa, abade de Santa Maria de Alverca, por escritura feita em Freixedas, em 29 de Junho de 1650. Indicava como primeiro administrador, António de Gouvea Coutinho, mas com a obrigação de se casar com uma afilhada do instituidor, D. Seraphina de Sam Paio, filha de Cristóvão Pereira de Sam Paio e por isso, irmã de D. Ana da Silva e Castro. A escritura declarava ainda que este administrador, se não tivesse filhos, podia “nomear por sua morte, para lhe suceder no vínculo, uma pessoa nobre que lhe parecesse apta para esse fim”.
Ora D. Anna da Silva e Castro era mãe de D. Maria da Silva e Castro, casado como já vimos, com Jerónimo Coelho do Amaral, os avós de D. Maria Josefa; estava encontrada a “pessoa apta e nobre”. António de Gouvea Coutinho fez testamento em 23 de Agosto de 1652 e deixou o vínculo a sua esposa, D. Seraphina de Sam Paio: esta, por testamento de 25 de Agosto de 1676, legou-o a sua sobrinha D. Maria da Silva e Castro, de quem o herdou a sua neta D. Maria Josefa, de Paradinha. D. Maria Josefa de Carvalho e Castro Salvador reuniu depois estes três vínculos num só, o de Paradinha, ao qual juntou ainda o “seu terço” reunião esta que foi concedida por provisão de El Rei D. José I, em 20 de Outubro de 1772 e confirmada por presença do Tribunal de Lamego datada de 15 de Janeiro de 1776.
Casando com o capitão-mor de Moimenta da Beira, José de Vasconcelos, senhor do vínculo de Trevões, D. Maria Josefa fez de Paradinha a Casa-Mãe dos Morais Sarmentos da Beira e uma das casas mais ricas da região.
História
A História regista que no século XII Paradinha estava integrada no julgado de Castro Rei hoje Tarouca.
Posteriormente Paradinha passou a ser um lugar da Honra e do Concelho de Caria e Termo de Leomil.
No século XV, não se sabe como mas adivinha-se a força ambiciosa dos condes de Marialva, Paradinha sai de Caria e com os povos de Moimenta, Cabaços e Baldos formam a freguesia de São João Batista de Moimenta de Leomil que pouco tempo depois passa a ser um dos pequenos conselhos do Couto de Leomil.
Paradinha foi donatária da Universidade de Coimbra, já no século XVI contribuía com rendas, a influencia da Universidade devia-se ao domínio da instituição por parte dos Jesuítas, dos conventos e das casas nobres. A influência da Universidade é atestada pela presença de marcos nos quais estava inscrito “DE V”(DE UNIVERSIDADE), indicativo dos direitos da instituição.
Actualmente Paradinha é uma das vinte freguesias do Concelho de Moimenta da Beira, distrito de Viseu e pertence ao Bispado de Lamego.
Posteriormente Paradinha passou a ser um lugar da Honra e do Concelho de Caria e Termo de Leomil.
No século XV, não se sabe como mas adivinha-se a força ambiciosa dos condes de Marialva, Paradinha sai de Caria e com os povos de Moimenta, Cabaços e Baldos formam a freguesia de São João Batista de Moimenta de Leomil que pouco tempo depois passa a ser um dos pequenos conselhos do Couto de Leomil.
Paradinha foi donatária da Universidade de Coimbra, já no século XVI contribuía com rendas, a influencia da Universidade devia-se ao domínio da instituição por parte dos Jesuítas, dos conventos e das casas nobres. A influência da Universidade é atestada pela presença de marcos nos quais estava inscrito “DE V”(DE UNIVERSIDADE), indicativo dos direitos da instituição.
Actualmente Paradinha é uma das vinte freguesias do Concelho de Moimenta da Beira, distrito de Viseu e pertence ao Bispado de Lamego.
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